J.C.R. Licklider
A contribuição de J.C.R. Licklider para o desenvolvimento da Internet é feita primordialmente de ideias e não invenções. Ele previu a necessidade de computação em rede com interfaces simples para o utilizador. As suas ideias falavam de computação gráfica, interfaces de apontar e clicar, livrarias digitais, comércio electrónico, banca online, e software que existiria numa rede e migraria para onde quer que fosse necessário. (Waldrop,2000)
Licklider plantou as suas sementes metafóricas em dois sítios muito importantes. Trabalhou durante anos para a ARPA, aonde preparou o palco para a criação da ARPANET. Também trabalhou na Bolt Baranek e Newman (BBN), a companhia que forneceu os primeiros computadores para a ARPANET.
Humildade
Uma das características deste homem era ser estimado por todos os que o conheciam, tinha também uma reputação de ser tão humilde que ultrapassava os raios da virtude e transformava essa qualidade num defeito -deixava que outros ficassem com os créditos das suas ideias, desde que estas fossem concretizadas. Licklider, Lick para os conhecidos e amigos, nasceu em Saint-Louis em 1915, os seus biógrafos atribuem-lhe as boas maneiras ao facto de ter sido criado no "Mid-West". Frequentou a Washington State University em Saint Louis aonde recebeu três bacharelatos: em Física, Matemática e Psicologia. Fez o seu doutoramento em psicoacústica (a psicofisiologia do sistema auditivo). Em 1942 foi empregue no "Harvard Psychoacustic Laboratory", trabalhava para a Força Aérea procurando encontrar soluções para o problema de comunicações que afectava os tripulantes dos barulhentos bombardeiros.
Em 1950 transferiu-se para o MIT aonde teve o seu primeiro contacto com a computação. Trabalhou num projecto da Guerra-fria chamado SAGE, para tentar criar defesas anti-aéreas geridas por computador, contra os bombardeiros soviéticos. Licklider foi ficando progressivamente interessado na computação a partir daí. A computação desse tempo consistia essencialmente de "batch-processing". Problemas grandes são delineados, as operações codificadas em papel picotado que são depois introduzidas nos computadores em largas fornadas (batch). Depois é só esperar, e esperar, que é o trabalho dos técnicos.
Todo este processo era muito moroso, e se alguma das variáveis mudasse, ou não fosse planeada logo desde início, todo o processo teria de ser reiniciado. Licklider havia visto que a computação poderia ser diferente ao trabalhar no projecto SAGE já que este computador funcionava em tempo real. A informação era introduzida na máquina e os resultados ficavam disponíveis quase imediatamente. Licklider apercebeu-se que o desenvolvimento destas máquinas teria de seguir estas coordenadas para que os computadores se tornassem máquinas realmente úteis.
A simbiose homem computador
Em 1960, Licklider publicou a sua obra de referência "Man Computer Symbiosis". A ideia principal deste livro era permitir aos homens e computadores cooperarem na tomada de decisões e controlarem situações complexas sem uma dependência inflexível de programas predeterminados. É claro que Licklider se referia a uma computação em tempo real e interactiva. Os computadores fariam rapidamente e eficientemente o trabalho de rotina. A velocidade de processamento e a interface amigável permitiriam ao utilizador interagir com os computadores na toma das decisões em vez de simplesmente esperarem que a máquina providenciasse resultados. Este género de computação significaria que os problemas não teriam de ser formulados aprofundadamente, os computadores seriam capazes de responder a variáveis em mudança. A computação de Licklider não usaria o "batch processing" mas sim o método de partilha do tempo (time sharing), que fornece aos utilizadores de muitos terminais acesso a uma "mainframe" - interacção directa com o computador. Os resultados são obtidos imediatamente.
O "Man Computer Symbiosis" foi inspirado numa experiência informal que Licklider conduziu sobre si próprio. Decidiu anotar de que maneira o seu tempo no trabalho era utilizado.
"About 85 per cent of my "thinking" time was spent getting into a position to think, to make a decision, to learn something I needed to know. Much more time went into finding or obtaining information than into digesting it. Hours went into the plotting of graphs, and other hours into instructing an assistant how to plot. When the graphs were finished, the relations were obvious at once, but the plotting had to be done in order to make them so. At one point, it was necessary to compare six experimental determinations of a function relating speech-intelligibility to speech-to-noise ratio. No two experimenters had used the same definition or measure of speech-to-noise ratio. Several hours of calculating were required to get the data into comparable form. When they were in comparable form, it took only a few seconds to determine what I needed to know". "Throughout the period I examined, in short, my "thinking" time was devoted mainly to activities that were essentially clerical or mechanical: searching, calculating, plotting, transforming, determining the logical or dynamic consequences of a set of assumptions or hypotheses, preparing the way for a decision or an insight. Moreover, my choices of what to attempt and what not to attempt were determined to an embarrassingly great extent by considerations of clerical feasibility, not intellectual capability." (Licklider).
Intelecto
Esta relação entre o Homem e a máquina iria potenciar o intelecto humano já que o libertaria das tarefas mundanas, estando de acordo com uma das máximas da antropologia cultural: toda a cultura tende a poupar tempo e esforço humano.
Esta ideia poderá não parecer algo de inovador, num mundo actual aonde os computadores pessoais são algo ubíquo, mas nos dias do processamento "batch" o caso muda de figura. O facto de este livro ter sido escrito por um iniciado no campo das ciências computacionais ainda torna o acontecimento mais extraordinário. Robert Rosin, um estudante de computação no MIT, que havia estado num dos cursos de psicologia de Licklider em 1956 recorda: "For the life of me, I could not imagine how a psychologist who, in 1956, had no apparent knowledge of computers, could have written such a profound and insightful paper about 'my field' in 1960." (Rosin in Hafner & Lyon, 35).
Licklider na BBN
Em 1957 Licklider foi trabalhar para a Bolt Beranek and Newman (BBN), uma firma de design na área da arquitectura acústica. Persuadiu-os a comprarem um computador de 25.000 dólares. Licklider não sabia bem o que eles iriam fazer com o computador, mas sabia que existiam muitas potencialidades. De facto, a BBN, pouco tempo depois adquiriu um segundo computador, um Digital Equipment PDP-1, que custou 150.000 dólares. Licklider começou a contratar jovens e talentosos engenheiros integrando-os na sua equipa. A companhia, por sua vez, focalizou cada vez mais energias na área dos computadores, ganhando uma reputação respeitável nesse campo. Em 1968, a ARPA começou a aceitar ofertas para a construção dos computadores que iriam compor a ARPANET. A BBN estava em posição de realizar uma oferta e ganharam o concurso, graças à anterior influência granjeada por Licklider.
Licklider na ARPA
Em 1962 Jack Ruína, director da ARPA, pediu a Licklider que chefiasse dois departamentos: Ciências Comportamentais e Comando e Controle (Investigava o tempo que uma decisão pensada demora a ser posta em prática pelas forças militares em campo). Como incentivo adicional ele teria direito a um grande computador, um Q-32 (que havia sido comprado pela Força Aérea, mas oferecido à ARPA em 1961). Uma das tarefas principais de Licklider seria a de encontrar melhores usos para os computadores que não os de cálculo numérico.
Licklider procurou instituições americanas que estivessem na vanguarda da pesquisa computacional e celebrou contratos com elas. Passado algum tempo havia cerca de doze universidades e companhias a trabalharem com a ARPA, incluindo Stanford, UCLA e Berkeley. Como piada, Licklider, chamou ao seu grupo "Intergalactic Computer Network". Este grupo seria mais tarde o núcleo da ARPANET.
Em 1963 Licklider escreveu um memorando ao seu grupo realçando a necessidade de estandardização dos vários sistemas computacionais. Licklider queria que os investigadores construíssem o seu trabalho em conjunto. A distância física e os sistemas operativos incompatíveis tornavam isto bastante difícil. Se os vários computadores estivessem conectados, os investigadores poderiam facilmente trocar dados entre eles. O que Licklider propunha era uma rede. "It will possibly turn out that only an rare occasions do most or all of the computers in the overall system operate together in an integrated network. It seems to me important, nevertheless, to develop a capability for integrated network operation" (Lick in Hafner & Lyon, 38).
Licklider aprofundou ainda mais a sua descrição desta rede hipotética:
"If such a network as I envisage nebulously could be brought into operation, we could have at least four large computers, perhaps six or eight small computers, and a great assortment of disc files and magnetic tape units-not to mention remote consoles and teletype stations-all churning away" (Lick in Waldrop)
Chegou mesmo a descrever programas de software que existiriam apenas na rede e que poderiam ser utilizados por qualquer computador quando estivesse conectado. Esta ideia seria posta em prática décadas depois com a criação da JAVA(Linguagem de programação).
Licklider nunca implementou a sua visão. Deixou a ARPA no ano seguinte, mas poucos anos depois as suas ideias ganharam forma com a criação da ARPANET. Larry Roberts, o arquitecto principal da ARPANET recordou mais tarde:
"Lick had this concept of the intergalactic network which he believed was everybody could use computers anywhere and get at data anywhere in the world. He didn't envision the number of computers we have today by any means, but he had the same concept-all of the stuff linked together throughout the world, that you can use a remote computer, get data from a remote computer, or use lots of computers in your job. The vision was really Lick's originally. None of us can really claim to have seen that before him nor{can} anybody in the world. Lick saw this vision in the early sixties. He didn't have a clue how to build it. He didn't have any idea how to make this happen. But he knew it was important, so he sat down with me and really convinced me that it was important and convinced me into making it happen" (Roberts in Segaller, 40).
Licklider deixara a sua marca na ARPA. Quando chegou, o departamento de Comando e Controle estava interessado em jogos de guerra simulados em computador, ao partir o interesse deste departamento era agora o "time-sharing", gráficos computacionais e linguagens computacionais aperfeiçoadas. O nome do próprio departamento mudara para reflectir os novos campos de estudo, denominava-se agora "Information Processing Techniques Office" (IPTO). Estas mudanças prepararam a vinda da ARPANET.
Livrarias do Futuro
Licklider continuou a visionar grandes usos para os computadores. Em 1965, escreveu um livro chamado "Libraries of the Future", em que se questionava sobre como a informação poderia ser guardada e recuperada electronicamente. Apesar de nunca ter lido o livro de Vannevar Bush, "As we may think", ele percebeu que as ideias de Bush estavam suficientemente difundidas pela comunidade computacional para que servissem de trampolim para as suas ideias (Licklider 1965, XII). A sua rede de informação teorética, à qual ele havia chamado de "sistema pré-cognitivo", parece extremamente semelhante à World Wide Web de Tim Berners-Lee:
"the concept of a 'desk' may have changed from passive to active: a desk may be primarily a display-and-control station in a telecommunication-telecomputation system-and its most vital part may be the cable ('umbilical cord') that connects it, via a wall socket, into the procognitive utility net" (Licklider 1965, 33). Este sistema poderia ser utilizado para ligar o utilizador ao: "everyday business, industrial, government, and professional information, and perhaps, also to news, entertainment, and education."(Licklider 1965, 34).
As ideias de J.C.R. Licklider tiveram um efeito profundo no desenvolvimento da tecnologia computacional e da Internet. A sua visão era a de um intelecto humano aperfeiçoado através da simbiose com a máquina. Ele instilou precocemente esta ideia em pessoas que a implementaram.
Nunca conheceu grande fama ou reconhecimento generalizado, morreu em 1990 devido a complicações posteriores a um ataque de asma.
Licklider plantou as suas sementes metafóricas em dois sítios muito importantes. Trabalhou durante anos para a ARPA, aonde preparou o palco para a criação da ARPANET. Também trabalhou na Bolt Baranek e Newman (BBN), a companhia que forneceu os primeiros computadores para a ARPANET.
Humildade
Uma das características deste homem era ser estimado por todos os que o conheciam, tinha também uma reputação de ser tão humilde que ultrapassava os raios da virtude e transformava essa qualidade num defeito -deixava que outros ficassem com os créditos das suas ideias, desde que estas fossem concretizadas. Licklider, Lick para os conhecidos e amigos, nasceu em Saint-Louis em 1915, os seus biógrafos atribuem-lhe as boas maneiras ao facto de ter sido criado no "Mid-West". Frequentou a Washington State University em Saint Louis aonde recebeu três bacharelatos: em Física, Matemática e Psicologia. Fez o seu doutoramento em psicoacústica (a psicofisiologia do sistema auditivo). Em 1942 foi empregue no "Harvard Psychoacustic Laboratory", trabalhava para a Força Aérea procurando encontrar soluções para o problema de comunicações que afectava os tripulantes dos barulhentos bombardeiros.
Em 1950 transferiu-se para o MIT aonde teve o seu primeiro contacto com a computação. Trabalhou num projecto da Guerra-fria chamado SAGE, para tentar criar defesas anti-aéreas geridas por computador, contra os bombardeiros soviéticos. Licklider foi ficando progressivamente interessado na computação a partir daí. A computação desse tempo consistia essencialmente de "batch-processing". Problemas grandes são delineados, as operações codificadas em papel picotado que são depois introduzidas nos computadores em largas fornadas (batch). Depois é só esperar, e esperar, que é o trabalho dos técnicos.
Todo este processo era muito moroso, e se alguma das variáveis mudasse, ou não fosse planeada logo desde início, todo o processo teria de ser reiniciado. Licklider havia visto que a computação poderia ser diferente ao trabalhar no projecto SAGE já que este computador funcionava em tempo real. A informação era introduzida na máquina e os resultados ficavam disponíveis quase imediatamente. Licklider apercebeu-se que o desenvolvimento destas máquinas teria de seguir estas coordenadas para que os computadores se tornassem máquinas realmente úteis.
A simbiose homem computador
Em 1960, Licklider publicou a sua obra de referência "Man Computer Symbiosis". A ideia principal deste livro era permitir aos homens e computadores cooperarem na tomada de decisões e controlarem situações complexas sem uma dependência inflexível de programas predeterminados. É claro que Licklider se referia a uma computação em tempo real e interactiva. Os computadores fariam rapidamente e eficientemente o trabalho de rotina. A velocidade de processamento e a interface amigável permitiriam ao utilizador interagir com os computadores na toma das decisões em vez de simplesmente esperarem que a máquina providenciasse resultados. Este género de computação significaria que os problemas não teriam de ser formulados aprofundadamente, os computadores seriam capazes de responder a variáveis em mudança. A computação de Licklider não usaria o "batch processing" mas sim o método de partilha do tempo (time sharing), que fornece aos utilizadores de muitos terminais acesso a uma "mainframe" - interacção directa com o computador. Os resultados são obtidos imediatamente.
O "Man Computer Symbiosis" foi inspirado numa experiência informal que Licklider conduziu sobre si próprio. Decidiu anotar de que maneira o seu tempo no trabalho era utilizado.
"About 85 per cent of my "thinking" time was spent getting into a position to think, to make a decision, to learn something I needed to know. Much more time went into finding or obtaining information than into digesting it. Hours went into the plotting of graphs, and other hours into instructing an assistant how to plot. When the graphs were finished, the relations were obvious at once, but the plotting had to be done in order to make them so. At one point, it was necessary to compare six experimental determinations of a function relating speech-intelligibility to speech-to-noise ratio. No two experimenters had used the same definition or measure of speech-to-noise ratio. Several hours of calculating were required to get the data into comparable form. When they were in comparable form, it took only a few seconds to determine what I needed to know". "Throughout the period I examined, in short, my "thinking" time was devoted mainly to activities that were essentially clerical or mechanical: searching, calculating, plotting, transforming, determining the logical or dynamic consequences of a set of assumptions or hypotheses, preparing the way for a decision or an insight. Moreover, my choices of what to attempt and what not to attempt were determined to an embarrassingly great extent by considerations of clerical feasibility, not intellectual capability." (Licklider).
Intelecto
Esta relação entre o Homem e a máquina iria potenciar o intelecto humano já que o libertaria das tarefas mundanas, estando de acordo com uma das máximas da antropologia cultural: toda a cultura tende a poupar tempo e esforço humano.
Esta ideia poderá não parecer algo de inovador, num mundo actual aonde os computadores pessoais são algo ubíquo, mas nos dias do processamento "batch" o caso muda de figura. O facto de este livro ter sido escrito por um iniciado no campo das ciências computacionais ainda torna o acontecimento mais extraordinário. Robert Rosin, um estudante de computação no MIT, que havia estado num dos cursos de psicologia de Licklider em 1956 recorda: "For the life of me, I could not imagine how a psychologist who, in 1956, had no apparent knowledge of computers, could have written such a profound and insightful paper about 'my field' in 1960." (Rosin in Hafner & Lyon, 35).
Licklider na BBN
Em 1957 Licklider foi trabalhar para a Bolt Beranek and Newman (BBN), uma firma de design na área da arquitectura acústica. Persuadiu-os a comprarem um computador de 25.000 dólares. Licklider não sabia bem o que eles iriam fazer com o computador, mas sabia que existiam muitas potencialidades. De facto, a BBN, pouco tempo depois adquiriu um segundo computador, um Digital Equipment PDP-1, que custou 150.000 dólares. Licklider começou a contratar jovens e talentosos engenheiros integrando-os na sua equipa. A companhia, por sua vez, focalizou cada vez mais energias na área dos computadores, ganhando uma reputação respeitável nesse campo. Em 1968, a ARPA começou a aceitar ofertas para a construção dos computadores que iriam compor a ARPANET. A BBN estava em posição de realizar uma oferta e ganharam o concurso, graças à anterior influência granjeada por Licklider.
Licklider na ARPA
Em 1962 Jack Ruína, director da ARPA, pediu a Licklider que chefiasse dois departamentos: Ciências Comportamentais e Comando e Controle (Investigava o tempo que uma decisão pensada demora a ser posta em prática pelas forças militares em campo). Como incentivo adicional ele teria direito a um grande computador, um Q-32 (que havia sido comprado pela Força Aérea, mas oferecido à ARPA em 1961). Uma das tarefas principais de Licklider seria a de encontrar melhores usos para os computadores que não os de cálculo numérico.
Licklider procurou instituições americanas que estivessem na vanguarda da pesquisa computacional e celebrou contratos com elas. Passado algum tempo havia cerca de doze universidades e companhias a trabalharem com a ARPA, incluindo Stanford, UCLA e Berkeley. Como piada, Licklider, chamou ao seu grupo "Intergalactic Computer Network". Este grupo seria mais tarde o núcleo da ARPANET.
Em 1963 Licklider escreveu um memorando ao seu grupo realçando a necessidade de estandardização dos vários sistemas computacionais. Licklider queria que os investigadores construíssem o seu trabalho em conjunto. A distância física e os sistemas operativos incompatíveis tornavam isto bastante difícil. Se os vários computadores estivessem conectados, os investigadores poderiam facilmente trocar dados entre eles. O que Licklider propunha era uma rede. "It will possibly turn out that only an rare occasions do most or all of the computers in the overall system operate together in an integrated network. It seems to me important, nevertheless, to develop a capability for integrated network operation" (Lick in Hafner & Lyon, 38).
Licklider aprofundou ainda mais a sua descrição desta rede hipotética:
"If such a network as I envisage nebulously could be brought into operation, we could have at least four large computers, perhaps six or eight small computers, and a great assortment of disc files and magnetic tape units-not to mention remote consoles and teletype stations-all churning away" (Lick in Waldrop)
Chegou mesmo a descrever programas de software que existiriam apenas na rede e que poderiam ser utilizados por qualquer computador quando estivesse conectado. Esta ideia seria posta em prática décadas depois com a criação da JAVA(Linguagem de programação).
Licklider nunca implementou a sua visão. Deixou a ARPA no ano seguinte, mas poucos anos depois as suas ideias ganharam forma com a criação da ARPANET. Larry Roberts, o arquitecto principal da ARPANET recordou mais tarde:
"Lick had this concept of the intergalactic network which he believed was everybody could use computers anywhere and get at data anywhere in the world. He didn't envision the number of computers we have today by any means, but he had the same concept-all of the stuff linked together throughout the world, that you can use a remote computer, get data from a remote computer, or use lots of computers in your job. The vision was really Lick's originally. None of us can really claim to have seen that before him nor{can} anybody in the world. Lick saw this vision in the early sixties. He didn't have a clue how to build it. He didn't have any idea how to make this happen. But he knew it was important, so he sat down with me and really convinced me that it was important and convinced me into making it happen" (Roberts in Segaller, 40).
Licklider deixara a sua marca na ARPA. Quando chegou, o departamento de Comando e Controle estava interessado em jogos de guerra simulados em computador, ao partir o interesse deste departamento era agora o "time-sharing", gráficos computacionais e linguagens computacionais aperfeiçoadas. O nome do próprio departamento mudara para reflectir os novos campos de estudo, denominava-se agora "Information Processing Techniques Office" (IPTO). Estas mudanças prepararam a vinda da ARPANET.
Livrarias do Futuro
Licklider continuou a visionar grandes usos para os computadores. Em 1965, escreveu um livro chamado "Libraries of the Future", em que se questionava sobre como a informação poderia ser guardada e recuperada electronicamente. Apesar de nunca ter lido o livro de Vannevar Bush, "As we may think", ele percebeu que as ideias de Bush estavam suficientemente difundidas pela comunidade computacional para que servissem de trampolim para as suas ideias (Licklider 1965, XII). A sua rede de informação teorética, à qual ele havia chamado de "sistema pré-cognitivo", parece extremamente semelhante à World Wide Web de Tim Berners-Lee:
"the concept of a 'desk' may have changed from passive to active: a desk may be primarily a display-and-control station in a telecommunication-telecomputation system-and its most vital part may be the cable ('umbilical cord') that connects it, via a wall socket, into the procognitive utility net" (Licklider 1965, 33). Este sistema poderia ser utilizado para ligar o utilizador ao: "everyday business, industrial, government, and professional information, and perhaps, also to news, entertainment, and education."(Licklider 1965, 34).
As ideias de J.C.R. Licklider tiveram um efeito profundo no desenvolvimento da tecnologia computacional e da Internet. A sua visão era a de um intelecto humano aperfeiçoado através da simbiose com a máquina. Ele instilou precocemente esta ideia em pessoas que a implementaram.
Nunca conheceu grande fama ou reconhecimento generalizado, morreu em 1990 devido a complicações posteriores a um ataque de asma.
Etiquetas: biografias, história da internet

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